Bitinice
Não tem nada a ver com bitcoin. Bitinice é para mim um novo termo que lamento só ter descoberto agora. Cunhado pelo meu saudoso professor Biti de literatura. Como eu sei disso? Pois é, bateu uma bitinice (ou bitiness para os que desejam uma tradução no inglês), que para mim Read more…
Soneto do Amigo (1946) – Vinicius de Moraes
Enfim, depois de tanto erro passado Tantas retaliações, tanto perigo Eis que ressurge noutro o velho amigo Nunca perdido, sempre reencontrado. É bom sentá-lo novamente ao lado Com olhos que contêm o olhar antigo Sempre comigo um pouco atribulado E como sempre singular comigo. Um bicho igual a mim, simples Read more…
Soneto de Separação (1938) – Vinicius de Moraes
De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento Read more…
Soneto de Contrição (1938) – Vinicius de Moraes
Eu te amo, Maria, eu te amo tanto Que o meu peito me dói como em doença E quanto mais me seja a dor intensa Mais cresce na minha alma teu encanto. Como a criança que vagueia o canto Ante o mistério da amplidão suspensa Meu coração é um vago Read more…
Soneto do Amor Total (1951) – Vinicius de Moraes
Amo-te tanto, meu amor…não cante O humano coração com mais verdade… Amo-te como amigo e como amante Numa sempre diversa realidade Amo-te afim, de um calmo amor prestante, E te amo além, presente na saudade. Amo-te, enfim, com grande liberdade Dentro da eternidade e a cada instante. Amo-te como um Read more…
Amor é fogo que arde sem se ver (1598) – Camões
Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer; É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se Read more…
Nasce o Sol – Gregório de Matos (1636-1696)
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas a alegria. Porém se acaba o Sol, por que nascia? Se formosa a Luz é, por que não dura? Como a beleza assim Read more…
Dois e dois: quatro (1966) – Ferreira Gullar
Como dois e dois são quatro Sei que a vida vale a pena Embora o pão seja caro E a liberdade pequena Como teus olhos são claros E a tua pele, morena Como é azul o oceano E a lagoa, serena Como um tempo de alegria por trás do terror Read more…
Soneto Amor Sincero
O nosso amor nesse silêncio hoje Iluminado em noite de aquarela Sobre os lençóis, à sós, só eu e ela, Olhando de olhos nus um para o outro. E a doce lentidão daquele encontro Levando mais para perto aos lábios dela, Num entrelaçar de mãos bem junto ao corpo O Read more…